alguns dias são assim, qual escura paisagem… alegoria do fim de dia… de tanto ontem,…

anoitece…

uma hora cinza essa que se vê agora, lá fora……

o dia se despede… vai-se… morre o branco no acinzentado… desce a mancha da noite, lentamente… qual donzela oferecida, promete afagos ao último raio embaçado do sol, este que não quis sair de trás das barras de saia de uma nuvem enorme, cor de cinza, em parte enegrecida, em parte esbranquiçada, alumiada, de tanta luz que guardava escondida…

em solitário passo de dança, qual cortejamento de um par invisível, exibido, um pássaro voa rodopiando, e trisca a folhagem chorona… nenhum som responde ao vôo desse vulto… esse ‘ai!’, esse arrepio, é só o rumor do meu susto…

nada se ouve que venha lá de fora… nenhum pio que sinalize o poema do entendimento… nem ruidosa, nem apressada, nenhuma revoada da passarinhada… nada parece ter o som de uma hora entardecida…

em mim, de tanta nostalgia, anoitece um clarão da cor deste cinza prateado que ainda teima em vestir a escuridão…

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